terça-feira, 22 de outubro de 2013

Olympus OM-D E-M1 Field Test

Análise prática da Olympus OM-D E-M1


A minha primeira camera fotográfica foi uma Zenith, isto aos 15 -16 anos. O meu pai ofereceu-me uma , para eu lhe deixar a Rolleicord em paz.  Sei que custou 10 contos, mas  logo depois do entusiasmo inicial, percebi logo que aquilo era uma camera muito limitada, com objectivas fraquinhas, a alavanca de arrasto do filme , estava sempre a encravar, e partia-me os filmes Orwo que comprávamos na Filmarte, logo tinha que fazer um upgrade rapidamente.
A minha primeira máquina...minha mesmo..
até comprar a Olympus OM-2n


Em pouco tempo, estava a vender fotografias na feira aos feirantes, o sucesso dessas vendas foi de tal forma que em poucas semanas tinha dinheiro para comprar uma máquina a sério, e a minha escolha foi a Olympus OM2n, com uma objectiva de 50 mm 1,4 da Zuiko, um mimo de máquina. Com a compra da OM2, comprei um precioso rolo de negativos a cores, esse rolo de 36 fotogramas rendeu-me um mês na máquina, mas daí tirei uma fotografia vencedora de um anuário nacional, uma gata enrolada numa manta de retalhos, também no final desse filme, tirei uma série da minha primeira foto-reportagem , um acidente que escuso de relatar, na linha de Sintra, fotos essas que fizeram furor nas redacções dos jornais e revistas de Lisboa, efectuei a minha primeira venda e as fotos do meu primeiro rolo, Fujicolor, foram destaque em diversos jornais, além de capa do anuário.

Esta máquina foi excelente e trabalhou muitos anos.
O pormenor da sapata de flash, ausente, era acessório



Assim, durante vários anos a Olympus, foi a minha fiel companheira, comprei a OM1n e a OM3, totalmente mecânicas,  mais tarde a OM4Titanio e juntamente com o José Ribeiro, grande fotógrafo actualmente na Reuters, éramos os foto-jornalistas das Olympus.

As máquinas tinham uma excelente qualidade, mas eram fracas para andar no dia a dia dos jornais, e para a foto-reportagem tinham algumas limitações. Enquadravam-se dentro da linha de fotografia da Leica, corpo e objectivas de grande qualidade, mas para quem as tratasse com carinho e pensasse na fotografia com muita calma, o que não era , nem é o meu caso, que sou um fotografo instintivo e penso a fotografia com rapidez.

Acabei por mudar no início dos anos 90 para a Nikon, ganhei algumas características , perdi outras, mas o que me lembro é do peso que duplicou na mala, embora os botões da Nikon estivessem muito mais adaptados á foto-reportagem, bem como a resistência do material em geral.
 nova Olympus OM-D E-m1

Há cerca de duas semanas, fui convidado pela Exame Informática para escrever uma nota sobre a ultima Olympus, OM-D E-M1. Já tinha estado com o modelo antecessor, que não gostei, quer pelo manuseamento da máquina em si, quer pelo formato de imitação de SLR, que detestei, não percebo porque é que a grande vantagem de uma maquina destas , se perde com a imitação de SLR, afinal de contas era suposto estas cameras serem discretas.
A Maggy, acedeu á fotografia teste, com luz fraca



O meu colega Sérgio Magno, fã incondicional da OM-D, deu-me logo os highlights da OM-D em relação á anterior, por isso fui-me logo preparando. Grande velocidade de obturação, sensor melhorado, auto focus, ultra rápido e eficaz, controlo pelas APP’s dos smartphones, grande estabilidade a baixas velocidades, etc...

Primeira fotografia, na voltinha por Cascais, aproveitei a luz da matinal
Modo: Manual 1/2,5s
Stop F:22
com tripé de bolso
distancia focal 19 mm
Iso 100

Em relação ao primeiro contacto com a OM-D EM-1, continuo a não gostar do formato de SLR, tem um punho frontal que a tornou mais ergonómica, mas também não gostei logo á primeira vista de ter  os diafragmas e velocidades , em modo manual,  escondidas em menus tradicionalmente vistos em máquinas com formatos semelhantes, com excepção de algumas como a Leica ou da FujiFilm séries-X.



Este formato de máquina , tipo RangeFinder, formato digital, é o meu sonho desde que em 2001 comecei a abandonar o formato analógico, até esta altura tinha tido a Leica MP, e depois para a Contax G2, com todas as lentes. Estas máquinas,, eram ótimas , porque além da discrição que precisava, tinham muita qualidade e eram essencialmente leves para o tipo de fotografia de viagem que eu faço.
 
A 300 metros  o sol já estava mais alto, o que me valia
era uma neblina matinal que filtrava a luz
Modo: Manual
1/60s
F:8
100 Asa
27 mm
Desde essa altura, nunca mais encontrei nada, ia sobrevivendo ao desgosto com umas Canon da série G que fui falando até há pouco tempo neste meu blog. Máquinas muito limitadas, principalmente por não terem lente intermutáveis, mas que satisfaziam, considerando a evolução lenta das tecnologias em fotografia , comparativamente a outros produtos.


Enfim, no ano passado adquiri a máquina que me faz o gosto, a FujiFilm XE-1, cujo detalhes não me vou alongar, mas que serviu de comparativo prático e conhecedor para o género de camera da OM-D E-M1.
 
Um pescador , na zona das docas da baia de Cascais, amanha as cavalas para iscar.
Modo manual: 1/30s
F: 6,3
320 Asa
15 mm
Denoto já algum ruído, a 320 asa
Em termo técnicos, logo á primeira vista a Olympus é um colosso de tecnologia, com um auto focus rapidíssimo, pratico, e preciso, muito mais do que ao que estou habituado da Fuji, que é uma desgraça.

Quando a desempacotei, como referi, já tinha algumas dicas para onde deveria seguir, li o manual com alguma atenção, e descarreguei a aplicação para o Iphone , para comando remoto.
Pescador de Cascais
1/30 S
F: 6,3
320 Asa
27 mm


Já era tarde e tinha pouco tempo para experimentar a máquina, pelo que a primeira vitima foi a Maggy, a minha gata mainCoon, modelo nos tempos livres.
Depois de observa a boa reação da máquina ás baixas luminâncias percebi que  iria ter algumas limitações com a objectiva, dado que a 55 mm equivalente a 90 mm, é muito escura (F: 5,6)

No dia seguinte, rumo a Cascais, logo pela madrugada encontrei o Farol da Guia , envolto numa áurea matinal lindíssima, auxiliado com um tripé miniatura fiz a primeira fotografia da Olympus, depois da experiencia com a Maggy.

Segui até ao centro de Cascais , até o Sol ficar muito elevado, perdi-me com imagens que só de manhã se captam.
 
Já mais abaixo , na baía, com o sol a brilhar atrás da neblina matinal
1/2000 s
F:11
320 asa
Nesta imagem, não fui rápido a alterar os iso da máquina, ainda não estava adaptado, mas é muito fácil com a Olympus esta alteração.
Até aqui a houve uma adaptação á máquina, tenho o hábito de focar e enquadrar pelo visor, que neste caso é electrónico, das primeiras imagens constatei que o visor LCD traseiro, é muito bom, até demais, pessoalmente prefiro visores que me mostrem as imagens com menos brilho e ideia de que ficam cheias de cor, com definição é claro, mas prefiro chegar ao computador sem decepções.
A Olympus tem rapidez suficiente para captar o que se pretende , e onde se pretende



Á primeira impressão, os comandos da máquinas estão muito prioritários para quem pretende utilizar os pré sets da maquina, tem todo o tipo de tratamento que hoje em dia é vulgar nos Instagrams e fotografias, tudo fica com ar de arte...
Simplesmente fotografei em formato RAW, e no final o meu programa de edição , o Lightroom,elimina estas funções, que só as volto a encontrar no Bridge.
Fotografia em JPEG original.

Como recorri, basicamente ao Manual para ter melhor controlo da luz e na velocidade, obrigou-me sempre a observar pelo visor LCD, não que não haja informação no visor do olho, é que não dá tanto jeito.

Modo programa com pre-set de  Impressionista  tornou uma foto banal numa imagem minimamente interessante.
Á medida que fui andando, fui experimentando as funções automáticas e alguns pre-sets, estes últimos reconheço que são engraçados e fazem de fotografias banais autenticas obras de arte, mas no fim , têm algum descontrolo onde fazem as brincadeiras, e se o utilizador não tiver espaço nem disposição para ambos os formatos RAW e JPEG, se não me engano pode ficar com algumas imagens condicionadas.
 
Já no Algarve , o tempo não ajudava para quem tinha 2 dias para experimentar a máquina.
Fotografia em RAW , editada somente em Lightroom 5

O modo de programa parece-me muito interessante, com rigor, o problema que encontrei , foi que o anel de ajuste também funciona automaticamente como correção de compensações, o que inadvertidamente gera a que se esteja a regular exposição quando se pensa que se está em programa, o que , a meu ver não é nada bom se não for intencional.
Ao entardecer fui dar uma volta de bicicleta para conseguir aproveitar o máximo de luz



Uma das coisas que notei, foi a minha mulher contente por poder focar e disparar com rapidez no ecran lcd traseiro, basculante. Esta função que não apreciei particularmente, mostrou-me perfeitamente o publico para quem esta camera está dirigida, no meu caso só vejo vantagens em tomadas de cima da cabeça, rasantes, ou para filme. Ela viu vantagens para tudo .
Este sou , fotografado pela minha mulher, normalmente ficaria algo fora do enquadramento, mas aqui ficámos focados e perfeitamente enquadrados.


Não sou fundamentalista da luz natural, acho que tenho de fotografar com o que tenho á mão, mas por vezes surgem ocasiões que mesmo com a Fuji, que tenho de fotografar com do flash, no caso da Olympus, vem com um flash, mas que curiosamente, como as suas gerações analógicas mais antigas, as OM 1 e 2, o flash é mesmo acessório. 

Não tinha flash de cabeça, tive de aproveitar a luz existente para esta imagem da Cristina, antes de mudar de look.


As antecessoras analógicas, traziam a sapata de flash como acessório, muitas vezes quem não utilizasse o flash, podia tirar a sapata e ficava com o penta-prisma com um design único (não vejo outra vantagem) , 
Fotografia com Luz de estúdio, sincronizada por disparadores das cabeças. A olympus, permite a ligação por cabo PC-X


já esta OM-D segue a mesma lógica e o pequeno flash que vem na caixa, é removível, pelo que não dá jeitinho nenhum, nem a colocá-lo ou mesmo a guardá-lo porque obriga a andar com o flash numa carteira própria, e mesmo que se utiliza, está colocado ao centro da máquina cuja a luz não é a mais bonita.
Foto da Cristina Ferreira, com duas cabeças Bowens, 1000w
No dia da apresentação em privado do seu novo look. 


Sinceramente , este modelo de flash não integrado, é uma nota muito negativa, por exemplo no caso da Fuji, está perfeitamente integrado, nem se nota que ele está presente, mas quando se precisa , ora aí está... em contrapartida a Olympus oferece um Socket PC para um flash externo, o que permita a sua ligaçãoo ás cabeças profissionais, o que na teoria era perfeito, senão fosse o facto de quando se trabalha com luzes de estúdio, os diafragmas normalmente são fechados, tipo, F:11, ou F:16, o que na Olympus é fatal porque o visor electrónico, corrige e fica-se totalmente ás escuras, a menos que exista alguma personalização que não descobri, e o visor se mantenha sem se adaptar á luz , mantendo a luminosidade por inteiro.
 
Na manhã seguinte e ultima do teste, uma caminhada pela beira mar, numa altura em que o Algarve está por conta dos que lá vivem.

Também experimentei o Wi-fi, controlado pelo Iphone, muito interessante com uma utilização especifica, mas que permite um controlo remoto, guardar e editar fotografias na hora, bem como enviá-las , muito bom, nota positiva.

Também gostei da rapidez do auto focus, e já nem tanto de ser uma máquina com a filosofia do disparar e perguntar depois. Torna-se fácil acumular fotografias, enquanto enquadramos e focamos.... principalmente quando se fotografa pelo visor LCD.

A Luna corria, e a máquina disparou com rapidez, embora o Auto focus não fosse tão rápido quando a cadência, de 5 ou 6, ficou 1 focada, bom!!

Tem funções que claramente tem de haver uma intenção de as ter ligadas, por exemplo a detecção de caras, é muito incomodativa quando temos pessoas em movimento numa zona em que pretendemos focar um objecto.
Já me estava a adaptar á máquina e ao tipo de formato de 4:3


Gostei da gama de objectivas da Zuiko, como sempre muito avançadas, já nem tanto do seu aproveitamento, achei o 4:3 um pouco limitado, e embora anunciando sensibilidades altas de ISO, notei algum ruído a partir de Iso’s baixo, tipo Iso 320, o que me retirou a FujiFilm do comparativo na qualidade final, ficando a Olympus com um ficheiro mais semelhante ás pointshoot como a GX-1 da Canon em que está sempre presente um ruído.

No Pre set de Paisagem
Utilizei o polarizador circular


Em resumo , uma camera muito avançada tecnologicamente , formato vintage que gosto pelas lembranças, mas que também me fez recordar o mesmo botão On/off da OM-2 que me fez perder inúmeras fotografias e que fez discussão em revistas da especialidade.

Modo Manual para compensar as nuvens
Utilizei um filtro polarizador
\editada em Lightroom 5

Todos os outros botões são personalizáveis o que é muito positivo.

 Tipo de leitura rigorosa, e obriga a que se pense no que se pretende das funções que oferece. Não é uma máquina pensada em fotografar de relance, embora permita rapidez, se estiver tudo preparado.

É uma máquina que gosta que o dono a utilize para os clichés :-)


A OM-D E-M1 é uma camera para quem gosta de fotografia em geral, não é a máquina para quem gosta de fotografar e do prazer de resolver algumas situações.